Lembro de uma época em que jogador da NBA não poderia disputar as Olimpíadas. Por isso muitos brasileiros que eram convidados, preferiam jogar na Europa. Eles não abriam mão de jogar pela seleção. Isso tudo mudou em 1992, quando o Comitê Olímpico alterou as regras. Então os EUA criaram o Dream Team, levaram a medalha de ouro mais fácil da história e nós brasileiros ficamos na expectativa de ver conterrâneos na liga americana.
Hoje existem alguns brasileiros que jogam nos EUA. Estão ganhando muita grana e são os melhores do Brasil, sem dúvida. Contudo, na hora de jogar pela seleção - em jogos que valem alguma coisa - se esquivam. Por pressão dos clubes da NBA e por falta de culhão, dizem estar contundidos. Desfalcam o selecionado sem pensar duas vezes.
Desde 1996 que o basquete masculino do Brasil não se classifica para disputar uma Olimpíada. Sem coincidência alguma, foi nesse ano que Oscar deixou de defender a seleção. Não me engano, sei que estamos longe de ser uma força no esporte. Mas poderíamos ir para Pequim, se tivéssemos os nossos melhores em quadra.
Como diria Zagallo, “Bye bye Pequim” tem 12 letras. A décima terceira foi no nosso rabo.
Desde de que escutei as músicas do (ou seria da?) Carroça, fiquei interessado em fazer um clipe para a música “Auto-estima”. Quando Valentim veio pra cá, acertei os detalhes com ele e fui produzir.
Tudo foi feito no esquemão caseiro. Câmera alugada de um amigo, por preço camarada. Atriz amiga, que cedeu a casa e seus felinos para gravação (muito obrigado, Fernanda Catani). Edição no meu computador mesmo.
Desde o início a idéia era não contar uma história, mas reforçar o sentimento que a música passa. Acredito ter conseguido isso. Depois digam o que acharam.
Tem muita gente torcendo o nariz, “é um olhar estrangeiro sobre o Brasil”. Ninguém, no entanto, irá dizer o documentário “Manda Bala” é mentiroso ou irreal. Podem falar que é raso e que simplifica a realidade brasileira, mas não irão fugir da matemática, um mais um igual a dois, que o filme propõe e explica muito bem.
Manda Bala é um recorte do Brasil. Foge do samba e foca na violência. Sem enrolação, explica a relação entre a corrupção dos políticos e a pobreza da população. E que essa falta de recursos leva o indivíduo a desvalorizar a vida do próximo. O americano Jason Kohn nos retrata como uma terra de ninguém, como um republiqueta no meio de uma guerrilha. Honestamente, isso não deixa de ser uma verdade. O número de baleados por dia, de carros blindados, de helicópteros circulando e de seqüestros em andamento são assustadores.
Esse documentário apresenta alguns elementos interessantes. O primeiro é assustador. São imagens feitas por seqüestradores, enviadas para pedir resgate, eu nunca havia visto isso. É uma visão crua. O lado negro do ser humano. Tortura psicológica e também física. Aos mais sensíveis sugiro manter distância.
Outro elemento narrativo é mais leve. Enquadrar tradutor e traduzido no mesmo quadro. O entrevistado fala em português, a pessoa ao lado diz o mesmo em inglês. Interessante notar a empatia que um cria com o outro, ou - nos momentos mais difíceis - o distanciamento.
Além disso, Kohn, prefere não dar voz aos sociólogos e deixar que sua narrativa mostre o que pensa - algo raro de ocorrer nos documentários brasileiros. Quem pensa que documentarista é isento, vive em outro mundo. Isento é aposentado no busão.
Manda Bala - ou send a bullet, na tradução - ganhou prêmio em Sundance. Mas seu maior mérito não foi esse. Aparentemente está proibido de passar nas salas brasileiras. Se conseguiu isso é porque cutucou a onça com vara curta.
Como diz o ditado, proibido é mais gostoso… assim, o torrent para esse filme está aqui (o arquivo tem 1.46Gb, qualidade boa). A dica do filme e do torrent eu vi no Omedi.
No começo dessa semana assisti dois filmes bons. Me surpreendi com o humor presente em cada. Mostram que rir pode ser leve, contido e delicado.
“O escafandro e a borboleta” tem tudo pra ser um dramalhão desgraçado. Pra quem não sabe do que se trata, é a história real de Jean-Dominique Bauby, depois de um derrame ele só consegue mover um olho. O esquerdo. Mesmo assim escreve um livro (!?). Disney nos faria chorar. Von trier nos faria sofrer. Mas Julian Schnabel, opta pelo humor. Claro que não desopilamos o fígado, sabemos da gravidade da situação e suas complicações. Inclusões de riso fazem do filme uma experiência leve, sem deixar de nos fazer refletir. A situação já é um drama forte, não precisamos ser lembrados disso a todo fotograma.
O segundo filme que fui assistir é menos conhecido. “A banda”. Uma banda de policiais egípcios vai tocar em Israel e se perde em território ‘inimigo’. Novamente não espere cair nas gargalhadas. O humor é delicado. Acho que Wes Anderson vem tentando - sem nem chegar perto - fazer um filme assim. Nem tanto pela temática, mas sim pelo clima que o diretor Eran Kolirin consegue imprimir em cena.
Um professor meu disse que uma comédia permite dizer mais verdade que um drama. Pode-se ficar na simples historieta da banda que passa, ou pensar na situação maior da região. Sem a seriedade de um filme sobre conflitos culturais.
Não posso deixar de falar da cena em que um dos membros da banda ajuda um novo amigo a conquistar uma garota. Uma das mais belas que vi nos cinemas. Sem invencionices, direta e muito criativa. Deixaria Chaplin e Keaton se mordendo de inveja. Esse, eu mais que recomendo!
Nesses dias eu assisti dois dos filmes de artes marcias mais comentados na internet ultimamente. Dois tailandeses e dirigidos por Prachya Pinkaew. O mais antigo, “Protector” e, o lançado esse ano, “Chocolate”. Como todo filme de arte marcial que se preze, os roteiros de ambos não servem nem pra embrulhar peixe. Mas quem curte esse tipo de espetáculo quer mais é ver porrada e nisso os dois se garantem muito bem.
“Protector” ou “Tom yum goong”. Mas pode chamar de não mexa com um elefante tailandês. A estrela do filme é Tony Jaa, que dizem ser o tal dos filmes de pancadaria atuais. O forte do Jaa são seus pulos. O sujeito voa longe e tem um certo prazer em acertar seus oponentes com os joelhos. O filme começa devagar. Muita historinha até primeira luta. Confesso que me decepcionei com as primeiras lutas e achei que tinha sido vítima de mais uma onda www. Porém, as coisas vão melhorando.
Tem se falado muito de um plano-seqüência de lutas dentro de um prédio. Parece que a preparação para o take que valeu demorou mais de dois meses. Impressiona, mas se levou tudo isso foi trabalho à tôa. A ação perde impacto num plano desses - pelo menos da maneira que foi realizado.
As lutas melhoram bastante depois que um templo pega fogo, não vou nem tentar explicar a história. O homem-sapo, Jaa, mostra que sua fama não é falsa. Ele mostra força e carisma. Na luta final é muito engraçado vê-lo lutar com um grandalhão que tem o dobro do seu tamanho.
“Chocolate” é superior. Como em “Protector”, a pancadaria demora um pouco mais que o necessário. (Seria essa uma característica tailandesa?) Esse filme vale por ter no papel principal uma atriz, JeeJa Yanin. Além de lutar, ela interpreta uma criança autista, o que torna tudo mais bizarro. O filme tem esse nome por que a garota adora comer confetes.
Como a protagonista é mulher, as lutas apostam mais na agilidade do que na força. Yanin parece de plástico em alguns momentos. Acho que isso torna as coreografia mais interessantes. Me lembrou em várias cenas o Jackie Chan em sua melhor fase. Claro que JeeJa não é Chan, mas ela dá conta do recado muito bem.
Parece que os chineses não são mais os donos do pedaço nas artes marcias. Esses tailandeses mostram talento pra tomar conta do mercado. Agora os china se dedicam a pancadaria com romance, belas paisagens, figurinos e histórias épicas. Já os tai preferem imitar o que era feito nos anos 70, porrada crua, sem dublês, sem fios e uma câmera ágil. Hoje, os tailandeses são os novos chineses.
Sabe aquelas perguntas bobas que costumam fazer pra celebridades? Aquelas que os famosos respondem e se jogam arroz na cabeça ao mesmo tempo… por exemplo, qual o seu maior defeito? Humildemente o sujeito diz, Sou muito percefcionista. Esse também é o maior defeito de Wall-e.
Acho pouco provável encontrar alguém que assista e não goste do novo filme da Pixar. Algumas pessoas podem não curtir o fato de ter poucos diálogos - eu acho fantástico -, mesmo essas se renderão ao carisma do pequeno robô e, ao final da projeção, estarão com um grande sorriso no rosto. A história é muito bem contada, os personagens secundários são divertidos, enfim, tudo foi feito às maravilhas.
É uma pena que aqui no Brasil tenham poucas cópias legendadas. Em São Paulo, por exemplo, apenas três cinemas exibem sem a dublagem. Quem for assistir Wall-e falando em português, perderá o excelente trabalho de Ben Burtt. Foi ele quem criou as vozes do C3PO e R2D2, agora repete a magia com Wall-e e seus amigos.
Tudo realmente funciona muito bem nessa animação. Talvez esse seja um problema, a perfeição é um problemão, já disse alguma celebridade.
A eurocopa acabou com uma certa surpresa. Ninguém diria no início que a Espanha era favorita. Nem quando começaram os mata-mata, a Espanha continuava sem créditos mesmo conseguindo marcar todos os pontos possíveis na primeira fase. Quem brilhou no começo foi a Holanda, mas caiu no primeiro jogo que valia de verdade. Só quando derrotou a Rússia pela segunda vez - ganhou de 4 x 1 e depois 3 x 0 - é que ouvimos alguns comentários sobre o selecionado do Rei Juan Carlos.
No final a taça ficou com quem merecia. La Furia jogou o melhor e mais eficiente futebol. Não foi tão garboso quanto os laranjas, mas passou de fase - e jogou melhor que todos os adversários. Jogadores jovens, velozes e habilidosos mostraram que estão dispostos a tirar a Espanha do papel de coadjuvante no mundo da bola.
E não é por acaso que o talento do jogador espanhol cresceu nos últimos anos. Há algum tempo os melhores jogadores de mundo vão jogar em terras castelhanas. Se antes o campeonato italianos era forte, hoje o espanhol é que atrai os olhos do mundo. Num futuro próximo o inglês será a voga.
Só espero que o Dunga tenha assistido a euro e aprendido um pouco… foram muitos jogos bons!