Escafandro e a Banda.
No começo dessa semana assisti dois filmes bons. Me surpreendi com o humor presente em cada. Mostram que rir pode ser leve, contido e delicado.
“O escafandro e a borboleta” tem tudo pra ser um dramalhão desgraçado. Pra quem não sabe do que se trata, é a história real de Jean-Dominique Bauby, depois de um derrame ele só consegue mover um olho. O esquerdo. Mesmo assim escreve um livro (!?). Disney nos faria chorar. Von trier nos faria sofrer. Mas Julian Schnabel, opta pelo humor. Claro que não desopilamos o fígado, sabemos da gravidade da situação e suas complicações. Inclusões de riso fazem do filme uma experiência leve, sem deixar de nos fazer refletir. A situação já é um drama forte, não precisamos ser lembrados disso a todo fotograma.
O segundo filme que fui assistir é menos conhecido. “A banda”. Uma banda de policiais egípcios vai tocar em Israel e se perde em território ‘inimigo’. Novamente não espere cair nas gargalhadas. O humor é delicado. Acho que Wes Anderson vem tentando - sem nem chegar perto - fazer um filme assim. Nem tanto pela temática, mas sim pelo clima que o diretor Eran Kolirin consegue imprimir em cena.
Um professor meu disse que uma comédia permite dizer mais verdade que um drama. Pode-se ficar na simples historieta da banda que passa, ou pensar na situação maior da região. Sem a seriedade de um filme sobre conflitos culturais.
Não posso deixar de falar da cena em que um dos membros da banda ajuda um novo amigo a conquistar uma garota. Uma das mais belas que vi nos cinemas. Sem invencionices, direta e muito criativa. Deixaria Chaplin e Keaton se mordendo de inveja. Esse, eu mais que recomendo!





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