Copiadora Snyder.

watchmen

Me incomoda o título que o marketing do filme “Watchmen” deu para o diretor Zack Snyder. Visionário. Um dia Fellini teve o mesmo apelido. Zack nada tem de visionário. Zack trabalha numa fotocopiadora.

Examinemos sua obra. Diretor de três filmes. O primeiro, Dawn of the dead, baseado num filme clássico de George Romero. O segundo, 300, era um quadrinho de Frank Miller. O terceiro, outro quadrinho, desta vez com outro autor por trás, Alan Moore. Até aí, muitos diretores trabalham com adaptações e nem por isso eu os chamo de fotocopiadora.

Caso a caso, então. Dawn, colocou Snyder no mapa. É seu melhor trabalho. Pegou uma obra já esquecida, requentou, colocou mais alguns ingredientes e fez um belo prato. Mostrou talento e podia ser o começo de uma promissora carreira. Só que as ideias principais da obra estão presentes no original, a luz verde do xerox passou. Era hora de mostrar que ele tinha suas próprias.

Ele não fez isso. Foi para o lado oposto. Buscou um quadrinho de um grande autor, mas uma obra menor – que não é nem nunca será referência. E copiou. A luz verde passou de novo. Manteve até os bizarros brincos e fantasias. Se o HQ de origem não é uma prima-donna, o filme também ficou bem abaixo da média. Se achávamos que ele tinha talento, agora olhamos desconfiados. Mas todos merecem uma nova chance.

Zack assume a produção de Watchmen. Filme que já esteve perto de ser feito inúmeras vezes. Assim ele volta para os quadrinhos e retorna para as boas ideias. Não as dele, mas as de Alan Moore – venerado escritor de HQs. O filme não é ruim. É um gostoso passatempo. Tenho ressalvas sobre as cenas de ação e a mania de acelerar e frear os murros, mas isso não condena a obra. Algumas escolhas de elenco são fracas, mas os acertos compensam. Só que mais uma vez ele não trouxe nada de novo. A luz verde retorna. As cores, os figurinos, tudo está como no original. Ele diz que prefere se manter fiel à obra iniciática. Eu digo que ele tem preguiça.

Tenho certeza que Zack estará na frente de mais um grande projeto, em um grande estúdio, com uma grande obra debaixo do braço. Preferia vê-lo adaptar uma peça de teatro, ou um livro bem fraco, pra ver se ele conseguia ser visionário assim. Enquanto esse dia não vem, cuidado com a luz verde!

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~ por GOM em 18 março 2009.

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